30 de Julho, 2005

A Flor do Sonho

Foto por mim, Alentejo, Junho 2004

 

A Flor do Sonho, alvíssima, divina,

Miraculosamente abriu em mim,

Como se uma magnólia de cetim

Fosse florir num muro todo em ruína.

 

Pende em meu seio a haste branda e fina

E não posso entender como é que, enfim,

Essa tão rara flor abriu assim!...

Milagre... Fantasia... ou, talvez, sina...

 

Ó Flor que em mim nasceste sem abrolhos,

Que tem que sejam tristes os meus olhos?

Se eles são tristes pelo amor de ti?!...

 

Desde que em mim nasceste em noite calma,

Voou ao longe a asa da minh' alma

E nunca, nunca mais eu me entendi...

Florbela Espanca

Escrito por Silvia em 14:35:09 | Link permanente | Comments (2) |

29 de Julho, 2005

"Viseu é o distrito onde os residentes têm menor probabilidade de sofrer Acidente Vascular Cerebral (AVC) nos próximos dez anos. De acordo com os resultados do projecto SOTP AVC, desenvolvido pela Fundação Portuguesa de Cardiologia em 2004, o distrito apresenta uma taxa média de 5,6 por cento. Numa análise feito por sexos, são os homens que apresentam maior probabilidade de desenvolver AVC (7,2 por cento), as mulheres fixam-se nos quatro por cento.", in Jornal Centro

Com uma percentagem tão pequena não percebo como tem havido nos últimos tempos tantas pessoas conhecidas que tenham sofrido um. Se calhar é o destino. Bah.

Escrito por Silvia em 12:05:40 | Link permanente | Comments (1) |

28 de Julho, 2005

Bochechas

"Ela tem bochechas como o Mário Soares." - by meu próprio avô paterno.

Acho que a foto dá para notar porque é que ele dizia isso. Ya sou eu, com uns 7 ou 8 meses.

Escrito por Silvia em 18:41:20 | Link permanente | Comments (3) |

27 de Julho, 2005

O medo, III

Puberty, Munch

A terceira componente do medo. Muitos, decerto, decidiriam incluí - la na componente anterior. Eu separo - a e considero - a distante, porque ser o medo do estranho não é o medo do especial, tal como ser estranho não é ser especial. Ser estranho é ver diferente, ser especial é ver mais, ver sem a cortina do supergo a toldar a visão. Temos medo dessa visão. Temos medo dessa visão especial, porque não podemos competir com ela, essa visão não está certa nem errada, é - nos vedada... O que nos é vedado é mais que desconhecido, mais que estranho - o especial está para além de tudo.

O medo do especial é mais forte que o medo do estranho e o medo do desconhecido.

O medo, é a carícia do especial.

Escrito por Silvia em 19:35:52 | Link permanente | Comments (4) |

26 de Julho, 2005

O medo, II

Anxiety, Munch

Estranhamos o que era desconhecido. Estranhamos o que é novo, o que nos aparece à frente, o que é surpresa. Estranhamos a flor negra, porque as flores não são negras, estranhamos o Sol escuro porque o Sol é amarelo. Estranharíamos se o mar se tornasse cor de fogo, e se o fogo tivesse a cor fria do mar. Porque seria novidade. Porque seria anormal.

Também nos estranhamos. Estranhamos o nosso próprio ser quando amadurecemos. Estranhamos o ser dos outros, estranhamos os outros. Os outros surgem - nos como seres diferentes de nós, que não conhecemos, que não dominamos, que não controlamos, que não podemos prever. E por isso temos medo. Medo do que o outro que é diferente possa fazer, medo que o diferente ultrapasse o comum. A xenofobia, a discriminação, não são nada mais que o medo escondido no leito da arrogância.

O medo, é o beijo do estranho.

Escrito por Silvia em 11:20:39 | Link permanente | Comments (3) |

25 de Julho, 2005

O medo, I

 

The Vampire, Munch

 

Temos medo de tudo. De tudo temos medo. Tudo nos mete medo. Todos nos metem medo. Nascemos e crescemos na sociedade do medo. Temos medo do monstro debaixo da cama, temos medo que o pai e a mãe nos repreendam, temos medo do professor, temos medo do calmeirão do 9º ano que nos atormenta a vida, temos medo de nos sair mal, temos medo de falhar num teste, temos medo de perder as pessoas de quem gostamos, temos medo de aranhas. O medo é simultaneamente retrocesso e progresso: faz – nos parar e faz – nos avançar. Temos medo de mudar de emprego – e se for pior? Temos medo de dizer "gosto de ti" – e se for errado? Temos medo de responder verdadeiro num teste – e se for falso? Temos medo de jogar em casinos – e se ficamos viciados? Temos medo de mudar de ramo num negócio – e se for falhado?

 

No caso dos casinos, o medo impediria uma situação que se afigurava má. No caso da mudança de negócio, o medo impediria uma situação que se afigurava boa. Num caso, o retrocesso, noutro o progresso.

 

E os medos abismos? E os medos inconscientes?

 

Sentir medo é sentir a escuridão possuir os nossos pensamentos, sentir a emoção preencher os vazios racionais, sentir o ego fugir a par da confiança, sentir a alma a torcer – se dentro de nós, rastejando pelas vísceras, dificultando – nos a respiração, parando – nos o olhar, fazer – nos obcecar… obcecar pelo assunto que nos provoca medo!

 

Às vezes até pode ser o simples amanhecer de um novo dia.

 

Por isso é que eu prefiro o medo das aranhas e do monstro debaixo da cama. E do escuro. São medos que sei infundamentados. Os outros, têm uma razão para existir e eu desconheço qual é. O medo, é o abraço do desconhecido.

Escrito por Silvia em 20:01:23 | Link permanente | Comments (5) |

24 de Julho, 2005

Pequenos nadas

David Fonseca já tem o seu novo single pronto. Pelo menos, nós fans, que constamos da sua newsletter, recebemos indicação para ir ao seu site pessoal... e tivemos uma surpresa bastante positiva. =) vá lá, vão a http://www.universalmusic.pt/wru/ e deliciem - se com a introdução do David ao seu single.

Hoje foi a apresentação do candidato à junta de freguesia da Cunha Alta pelo Partido Socialista, aqui no concelho de Mangualde. E pronto, e agora até fazia publicidade turística para trazer mais fundos ao meu concelho, dado que temos andado a desperdiçar os pouco que temos. A Cunha Alta é uma freguesia pequenina. A aldeia é muito pitoresca e contém várias relíquias históricas. Se não fossem os incêndios que lavraram à volta, diria que estava rodeava de montes verdes e graníticos, mas se vierem cá no Inverno é verdade.

 

Por detrás da pouca luminosidade, estou eu. Foto tirada da varanda da pousada da juventude do Porto. O Douro, ao fundo.

Escrito por Silvia em 22:25:46 | Link permanente | Comments (4) |

23 de Julho, 2005

Falta de Água

A Resolução do Conselho de Ministros N.º 83/2005 de 19 de Abril, justificou a criação de uma "Comissão para a Seca" supervisionada pelo Secretário de Estado do Ambiente, como: "necessidade de criar mecanismos específicos de acompanhamento da evolução da situação e de definição e coordenação das medidas de emergência, atendendo a que a seca assume, em 2005, características de um desastre natural".

Ora isto foi Abril.

Só em Julho é que os anúncios na TV relativos à falta de água é que começaram a dar nas vistas. Ou terei sido eu, que na pouca TV que vejo, deixei escapar a atenção para outros factos que não estes?

Isto foi aprovado em 24 de Abril, depois da saída no Diário da República.

Será que demora assim tanto tempo a aplicar aquilo que se previa imediato?

"Nível 1: corresponde a uma atitude proactiva de prevenção quando surgem sinais prenunciadores da seca."

Prevenção implica sensibilização.

Mas enquanto não passarem episódios dos Morangos com Açúcar que visem o facto a minha irmã vai continuar a ter 20 mn de duche.

Escrito por Silvia em 22:29:48 | Link permanente | Comments (1) |

22 de Julho, 2005

Primeiro fragmento

Hoje acordei com vontade de registar tudo o que se vai passar daqui adiante pela minha mente. Não é um diário ou um novo "Livro do Desassossego". São pedaços de mim e pedaços de outrém, fragmentos soltos de uma adolescente pré - universitária, de uma rapariga com toda a energia e toda a fraqueza dentro dela, fragmentos da certeza antitética da dúvida, gelado de "dolce de leche", o sentido da vida, tubaralhas - mes com aplausos, dança ritmíca em cima da coluna da Colossos, beijo na zona poente de algum lugar, cantos que guardam segredos, risos que despoletaram amizades, pensamentos que farão deste blog o ponto de encontro de uma complexa estrutura de pensamentos, sentimentos, banalidades oh e claro, muita fotografia. Isto é o post inicial e o post inicial nunca pode ser bom. Farei muitas perguntas, e esperarei respostas. O meu email está ali e também é msn. Os comentários estão abertos ao anonimato e tudo.

Foto tirada pelo meu telemóvel perdoem lá a falta de qualidade. Foi à noite, com flash, na praia de Matosinhos. Da esquerda para a direita, estão projectadas na areia a sombra do David, a minha e a da Joana. Adoro - vos.

Escrito por Silvia em 12:38:26 | Link permanente | Comments (7) |